Casa Tuga

O que o Plano Tecnológico não Resolveu

Posted on: 3 Outubro 2008


Enquanto uma parte do país vive em ambiente 2.0, outra persiste em velhos hábitos. Eis sete desafios que se perfilam à reforma tecnológica em curso

Três anos e algumas centenas de milhões de euros depois, as marcas do Plano Tecnológico (PT) na sociedade portuguesa estão à vista de todos. De súbito, Portugal passou a ter um dos maiores rácios de vendas de portáteis na UE e uma disseminação das redes 3G capaz de fazer inveja a países ricos. O IRS por via electrónica superou 3 milhões de declarações e criar uma empresa demora, em média, menos de uma hora.

Esta é a face “sorridente” do PT – mas existe também a menos feliz: hoje, o registo de um endereço .pt demora incomparavelmente mais do que criar uma empresa; a conferência de receitas electrónicas nunca chegou a funcionar apesar de prevista para 2003; e já se finou o segundo “Euro” que Portugal perde sem ter concluída uma infra-estrutura de comunicações comum para a segurança e protecção civil.

Os mais pessimistas acreditam mesmo que boa parte do sucesso do “IRS electrónico” se deve apenas à adesão de milhares de contabilistas.
Directa ou indirectamente, observadores e intervenientes admitem que PT e reformas afins acabam de entrar numa fase crítica. Um pouco como nas crises de crescimento – ninguém as aprecia, mas ninguém consegue crescer sem elas. «Há muita coisa de que se pode dizer bem, mas é altura de percebermos o que vamos fazer a seguir. Neste momento, a nossa governação não sabe o que há-de fazer, porque não há estruturas de pensamento organizado para o futuro», analisa José Tribolet, presidente do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC).

José Tribolet elogia o lançamento do programa e-Escolas, a publicitação de indicadores do que está feito, ou o esforço de modernização da Justiça e da administração pública (AP), mas como perito em sistemas organizacionais, opta por um optimismo crítico face aos desafios que agora se perfilam.
«A primeira fase foi uma intervenção na periferia, com todos os portais de que se fala agora. Só que estas soluções não são escaláveis. Se se fizer isto sistematicamente para todos os processos da AP, o que fica lá dentro é uma enorme teia de aranha, impossível de controlar e com custos gigantescos», sublinha o responsável do INESC.

José Dias Coelho, presidente da Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI), tem visão similar: «Vamos continuar a ter problemas na interoperabilidade entre sistemas de vários ministérios, porque não temos uma base de dados comum. Por vezes, um mesmo conceito tem múltiplas representações. Uma casa tem um significado nas Finanças diferente do da Justiça. O cidadão beneficiou de muitos actos que foram simplificados, mas na retaguarda da AP não houve simplificação.»  Continuar a ler…

2 Respostas to "O que o Plano Tecnológico não Resolveu"

Rapaz, nem sempre esses planos dão certo.. os velhos hábitos ainda dominam hehe

Há coisas que não mudam nunca!!😕

Abraço!

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