Casa Tuga

Professores cépticos com resultados das provas

Posted on: 30 Junho 2008


A crer nos resultados, o sistema de ensino melhorou exponencialmente num ano. Há menos de metade das negativas do ano passado nas provas de aferição de Matemática e Português. A ministra congratula-se, os professores dizem que é impossível.

 

matemática A primeira crítica é a do facilitismo e Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, agarra num simples exemplo: na prova de Matemática do 6.º ano, a dada alínea, pergunta-se ao aluno, munido de calculadora, qual é o quadrado de 100. “Ainda se fosse um número mais complicado, mas não. É demasiado fácil”. E “há muitas” perguntas nesta linha.

Resultado: apenas 18,3% dos alunos do 6.º ano obteve um resultado negativo a Matemática, contra 41% em 2007. “Desceu para menos de metade. É ridículo! Isto só é possível com provas mais fáceis”, diz Nuno Crato. Uma crítica que a ministra Maria de Lurdes Rodrigues considera “desajustada”. “Só 5% dos alunos consegue resolver a totalidade da prova, isso diz-nos alguma coisa, não?”, questiona, preferindo realçar o “trabalho” desenvolvido pelo Ministério da Educação (ME), pelas escolas e pelos professores.

As provas de aferição (realizadas em Maio por mais de 230 mil alunos dos 4.º e 6.º anos de 6883 escolas) revelam, efectivamente, um país mais sabedor. No caso da Matemática – “disciplina onde se pensa que há uma fatalidade, mas não há fatalidade nenhuma”, diz a ministra – apenas 1,8% dos estudantes do 6.º obteve a nota mais baixa. No ano passado, tinham sido 6,6%. Na outra ponta da tabela, 8,9% conseguiu uma classificação de “Muito Bom” (contra 2,7% em 2007).

No 4.º ano, as negativas são menos 10,9% do que ano passado. Quanto aos alunos com “Muito bom”, foram agora 15,4%, único nível em que se registou uma descida face aos 18,5% de 2007. Diz o ME que as melhorias do 1.º ciclo são nos “números e cálculos”, enquanto o 2.º ciclo melhorou em “geometria e medida”.

No Português, as notas positivas no 6.º ano são mais 8% do que em 2007 e os “Muito bom” passaram de 1,1% para 4,6%. Aumentou também a percentagem de provas classificadas com “Bom” (34,2%), enquanto diminui a de provas com “Satisfaz” (54,6%).

No 4.º ano, a quantidade de positivas manteve-se, enquanto o número de melhores notas desceu 4,4%. É prova, insiste a ministra, de que não há facilitismo. As dificuldades, diz, são visíveis na compreensão de textos informativos e poéticos. Sem ter recebido os resultados, a Associação de Professores de Português preferiu não os comentar.

Fake Para Maria de Lurdes Rodrigues, as melhorias devem-se à implementação do Plano de Acção para a Matemática e do Plano Nacional de Leitura. Mas não só. Realça todo o trabalho feito, que implicou não só formação de professores, como novas orientações para os tempos de trabalho com alunos em leituras e Matemática e o reforço do estudo acompanhado. “Estes resultados provam que é possível melhorar a prestação dos alunos com trabalho continuado e persistente, quando se disponibilizam às escolas meios e recursos”.

“A última vez que a ministra alegou as vantagens do Plano de Acção para a Matemática, antes dos exames de 2007, a percentagem de aprovações desceu de 37% para 27%”, recorda Nuno Crato. E lembra uma crítica feita logo após a realização das provas de aferição: “O ME não está a fazer provas fiáveis, com critérios que permitam comparar com resultados de anos anteriores. Teriam que ser feitas provas minimamente semelhantes e há técnicas para isso”. A única medida fiável de que Portugal dispõe, diz, é o estudo internacional PISA, segundo o qual em 2003 a pontuação dos portugueses era de 466, resultado que subiu para 467 três anos depois.

(Desculpem pela imagem, não resisti a pola…🙂 )

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