Casa Tuga

Os destinos mais perigosos do mundo

Posted on: 8 Fevereiro 2008


A Forbes.com faz o mapa das ameaças e desmistifica os perigos sobre alguns países.

Nos anos 70, o pior pesadelo para um turista seria o desvio de um avião ou uma crise de reféns. Hoje em dia, as ameaças são igualmente perigosas mas reflectem os tempos em mudança. Actualmente, um turista ou um homem de negócios em viagem está mais preocupado com ataques terroristas nos transportes públicos, em ser apanhado numa revolta espontânea ou com a explosão de uma bomba numa discoteca ou hotel.

Foi precisamente isto que aconteceu na passada, segunda-feira, quando militantes munidos de granadas, espingardas Ak-47 e coletes suicida atacaram um hotel de luxo em Kabul, matando seis pessoas, incluindo pelo menos um americano. No Quénia, a controvérsia em relação aos resultados das eleições realizadas em Dezembro deu origem a semanas de tumultos e violência étnica, que causaram 600 mortes, segundo as estimativas.

O escalar da tensão no Paquistão e no Estreito de Ormuz, onde barcos de patrulha iranianos confrontaram recentemente navios de guerra da Marinha dos EUA, são mais um presságio do conflito mundial.

«Não julgo que o mundo esteja mais seguro ou mais perigoso», refere Johan Selle, Director de Operações da iJet Intelligent Risk Systems, uma Consultoria de Risco sedeada em Maryland. «Creio que algumas ameaças são mais frequentes hoje em dia do que o eram no passado». Segundo Selle, entre estas incluem-se os ataques suicidas, raptos e roubo de propriedade intelectual.

Classificar quais os países mais perigosos com base nas notícias do dia pode ser um pouco enganador. Claro que o Iraque e o Afeganistão são países excepcionalmente traiçoeiros, mas outros países como o Haiti, a Somália e a República Democrática do Congo têm permanecido tão perigosos desde que as condições de segurança se começaram aí a deteriorar.

De modo a compilarmos a nossa lista anual dos Destinos Mais Perigosos do Mundo, recorremos a duas consultorias de risco: a iJet, e a Control Risks sedeada em Londres. Ambas as empresas possuem escritórios em todo o mundo e fornecem aconselhamento sobre riscos de segurança em vários países a clientes empresariais, governamentais e não-governamentais. O seu leque de clientes abrange todo o tipo de indústrias, incluindo a farmacêutica, petróleo e gás, banca e telecomunicações. ¿ A iJet determina os níveis de segurança através da avaliação de seis parâmetros: crime, serviços de segurança, agitação pública, terrorismo, raptos e estabilidade geopolítica. A cada país é atribuído um valor de 1 a 5, sendo que o 1 representa o nível de ameaça mais reduzido e o 5 o mais elevado. A Control Risks utiliza uma avaliação de risco de cinco escalões, que determina se os riscos de segurança, terrorismo ou viagem são muito elevados, elevados, médios, reduzidos ou insignificantes. A nossa lista inclui sete países classificados como os mais perigosos pela iJet e pela Control Risks, assim como três aos quais uma das empresas atribuiu uma classificação elevada.

Forças Destabilizadoras

Muito embora os factores que conduzem à destabilização ou a uma completa ruptura social variem de país para país, existem tendências gerais que ambas as empresas constataram nos últimos anos.

«Nota-se a ausência de um governo e economia fortes», refere Selle sobre os países que mergulharam no caos. «Actualmente, existe bastante preocupação em torno da questão do Quénia, mas muitos interesses económicos e internacionais estão a fazer esforços a nível das negociações». Selle compara o Quénia com o Zimbabué, que é «tudo menos uma potência económica».

A iJet colocou o Zimbabué no quinto lugar, apurando uma agitação pública prolongada, fraca economia, riscos financeiros para as empresas estrangeiras e um governo débil. A Control Risks classificou o país como tendo um elevado risco de segurança, um insignificante risco de terrorismo e um risco médio de viagem. O Departamento de Estado Norte-Americano considerou o Zimbabué como um país «volátil» e alertou os cidadãos para o facto do governo aprovar o uso de força contra os dissidentes.

Ainda que os países africanos representem pouco menos de metade dos países mais perigosos da nossa lista, James Smither, director associado de projectos de consultoria na Control Risks, afirma que os níveis de segurança estão a melhorar em alguns locais no continente.

«As pessoas estão fartas destes conflitos», diz. «O número de guerras civis diminuiu nos últimos anos». Smither considera que o aumento da segurança em algumas regiões se deve ao fim da Guerra Fria, que causou a proliferação de conflitos através de guerras por procuração. «Quando o financiamento e interesse nesses conflitos terminou, essas guerras foram chegando ao fim pouco a pouco». Smither dá Moçambique e a Serra Leoa como exemplos de estabilização nos últimos anos.

Segundo Smither, a chave para a estabilidade reside em fortes instituições com um poder judicial eficaz, meios de comunicação independentes e uma sociedade civil envolvida. Selle, da iJet, afirma que a corrida a recursos como os diamantes, minerais, petróleo e direitos de agricultura e pastagem despoletou muitas tempestades de fogo políticas e militares em África, mas também em países de todo o mundo. Os esforços das empresas locais e multinacionais para apaziguar as preocupações dos habitantes através do investimento em infra-estruturas, criação de empregos e educação pode ter um efeito estabilizador.

«As pessoas tendem a estar mais susceptíveis à agitação se viverem na pobreza e se estiverem a pensar que o próximo líder lhes vai trazer pão e água», refere. Isto aplica-se principalmente em países onde as mudanças no poder foram o resultado do desespero económico.

Proteger-se a si mesmo

Independentemente para onde viajam, quer seja em trabalho ou lazer, os visitantes que chegam a países perigosos têm de estar plenamente conscientes do leque de ameaças existentes.

Por exemplo, na Venezuela o crime aumentou substancialmente em Caracas e noutras áreas urbanas. Muito embora as empresas estrangeiras ainda não se tenham de tornado o alvo do confronto entre forças pro e anti-governamentais, a violência tem despontado rapidamente entre estes grupos no passado.

No Haiti, dentro da força policial existe corrupção e tráfico de droga. A região da capital Port-au-Prince regista incidentes de vários tipos de crimes mesmo em subúrbios abastados. «Na verdade, insistimos com as pessoas para que fiquem a par do que se passa no país para onde vão», diz Michele Bond, a Subsecretária de Estado Adjunta para os Serviços aos Cidadãos Ultramarinos. «As coisas podem ficar violentas e você não teria recebido nenhum aviso».

Isso foi precisamente o que se passou recentemente no Quénia quando uma controvérsia em redor dos resultados eleitorais deu azo a uma onde de violência e tumultos que causaram a morte a 600 pessoas, segundo as estimativas. Bond afirma que na altura em que a luta rebentou estavam cerca de 9000 americanos no Quénia, sendo que muitos contactaram o Departamento de Estado a solicitar conselhos sobre segurança.

A primeira recomendação foi para se manterem nas suas casas até que a violência diminuísse. No entanto, ela também adverte os viajantes para se preparem antes de partirem, deixando um itinerário da sua viagem a um familiar, registando a viagem junto do Departamento de Estado, que pode enviar mensagens de correio electrónico aos viajantes, revendo as apólices de seguro para o caso de urgência médica e consultando a lista actualizada da agência com conselhos de viagem. A preparação é essencial, afirma Bond «já que tudo pode acontecer em qualquer lugar».

Fonte

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: