Casa Tuga

As gafes do ano político

Posted on: 12 Janeiro 2008


O ano de 2007 foi pródigo em gafes e atropelos nas explicações dadas pelos nossos políticos sobre decisões e acontecimentos polémicos. (…)

Momentos para relembrar antes do fim de 2007 e numa época em que os políticos andam mais comedidos… com as palavras.

Licenciatura de Sócrates explicada em directo

Em Abril, em entrevista à RTP, José Sócrates justifica ter pedido transferência do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) para a Universidade Independente (UnI) por, na UnI, haver uma licenciatura e o curso do ISEL apenas lhe dar equivalência. Além disso, refere, a UnI “era perto do ISEL” e tinha regime pós-laboral. Havia, contudo, uma questão que pareceu não incomodar o então deputado socialista o curso da UnI não era reconhecido pela Ordem dos Engenheiros.

Luís Arouca, reitor da UnI aceitou a candidatura sem lhe ter sido entregue o certificado de habilitações do ISEL e as classificações de quatro cadeiras foram lançadas num domingo de Agosto. Sócrates alega que “um aluno não é responsável pelo funcionamento” da universidade que frequenta. O primeiro-ministro diz ainda que integrava uma turma “especial, de alunos oriundos de outras instituições”, razão pela qual foi Arouca o docente de Inglês Técnico e não o regente da cadeira.

Uma enorme coincidência foi a explicação dada para o facto de António José Morais, filiado no PS e antigo ocupante de cargos dirigentes nos governos de Guterres e de Sócrates, ter sido, ao mesmo tempo, professor de três disciplinas que faltavam ao futuro líder do PS. Quanto ao constar, na sua biografia de deputado, como “engenheiro civil”, o chefe de Governo disse não se lembrar por já ter sido há 14 anos.

Cavaco pede entusiasmo para se fazer mais filhos

No final de uma visita de dois dias aos concelhos da Guarda e de Gouveia, no dia 24 de Novembro, o presidente da República quis saber “Por que é que nascem tão poucas crianças?”. E questionou: “O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?”. Numa das suas intervenções mais espontâneas ao longo deste ano, Cavaco ainda referiu não acreditar “que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao mundo”.

Contribuam para tornar Portugal mais… pobre

Foi a 21 de Maio, no Parlamento, no discurso que abriu o plenário sobre a Lei da Nacionalidade, que da garganta do primeiro-ministro saiu uma das gafes mais hilariantes do ano. José Sócrates queria pedir a todos os portugueses que contribuíssem para tornar Portugal um país mais próspero, mas foi traído na verbalização.

“Quero deixar-vos também uma palavra de confiança, confiança em vós, nas vossas famílias e a certeza que cada um dará o seu melhor para um país mais justo, para um país mais pobre… perdão, para um país mais solidário, mais próspero, evoluído”, foi o que se ouviu.

Cavaquismo inspira corte nas férias judiciais

Em meados de Janeiro, em entrevista ao “Expresso”, o ministro da Justiça, Alberto Costa, afirma que a redução das férias judiciais para apenas um mês foi uma sua medida de “inspiração cavaquista” e elogia o “ímpeto reformista” dos governos de Cavaco Silva no final da década de 80.

Manuel Pinho elogia baixos salários nacionais

Na visita oficial à China, num seminário em Pequim, a 1 de Fevereiro, perante 300 empresários chineses, o ministro da Economia diz que a mão-de-obra portuguesa é barata, logo uma vantagem competitiva a aproveitar. Foi esta a terceira razão apontada por Manuel Pinho para se investir em Portugal “Somos um país competitivo em termos de custos, nomeadamente, os custos salariais são mais baixos do que a média da União Europeia.”

Ministro anuncia postos de trabalho que já existiam

Face o despedimento de 500 trabalhadores da fábrica Delphi, em Maio, o ministro garantiu, em Bruxelas, que a multinacional tinha criado 250 postos de trabalho em Castelo Branco. Só que esses empregos já se encontravam preenchidos desde 2006.

Piada sobre Sócrates suspende professor

Segundo a nota de culpa da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), no dia 19 de Abril, o professor de Inglês e ex-deputado do PSD, Fernando Charrua, disse “Somos governados por uma cambada de vigaristas e o chefe deles todos é um f… da p…”. Charrua alega que o insulto é “falso” e adianta que o comentário foi sobre a licenciatura de Sócrates, ocorreu dia 20 de Abril, num restaurante, onde estava com um colega e a directora da DREN, Margarida Moreira, que até terá respondido que, através do programa Novas Oportunidades, o primeiro-ministro poderia sanar essa questão. A suspensão de Charrua foi retirada semanas mais tarde. Pela própria ministra da Educação.

Frase de Correia de Campos exonera funcionária

Foi no final de Junho. Um médico amplia um artigo de jornal em que o ministro da Saúde, Correia de Campos, diz nunca ter ido a um SAP (Serviço de Atendimento Permanente). O clínico agarra numa caneta e acrescenta “Façam como o ministro, não venham ao SAP”. No inquérito que foi realizado, o médico admite a autoria da fotocópia e da frase. A administrativa do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, acaba por ser exonerada.

SEC propõe que se diga mal do Governo, mas em casa

Dias depois, a 5 de Julho, na apresentação do relatório anual do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, a secretária de Estado adjunta e da Saúde, Carmen Pignatelli diz “Vivemos num país em que as pessoas são livres de dizer aquilo que pensam… desde que seja nos locais apropriados”. E foi ainda mais explícita: “Eu sou secretária de Estado, aqui nunca poderia dizer mal do Governo. Aqui. Mas posso dizer na minha casa, na esquina, no café. Tem é de haver alguma sensibilidade social.”

Lino diz que é engenheiro civil inscrito na Ordem

A 4 de Maio, quando a polémica sobre a licenciatura do primeiro-ministro começava a ser esquecida, Mário Lino puxa dos galões e na abertura do 3.º Congresso do Oeste, em Alcobaça, para acusar de pouco sérios os argumentos dos que defendem o aeroporto na margem sul, brada “Digo isto com consciência profissional, evocando a minha condição de engenheiro civil, engenheiro inscrito na Ordem dos Engenheiros”. A gargalhada foi geral.

Ministro afunda-se no deserto da margem sul

A 23 de Maio, num almoço da Ordem dos Economistas, o ministro das Obras Públicas recusa construir o aeroporto em Alcochete. “O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na margem sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar.”

Lino não acerta na data e recua na localização

Na mesma ocasião, Lino fala do calendário do projecto “Vamos lançar o concurso no segundo semestre de 2009”. De repente, dá conta do lapso e rectifica: “Vamos lançar o concurso no segundo semestre de 2007”. E a 12 de Junho – apenas 15 dias depois – anuncia ter pedido ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) um estudo comparativo entre a Ota e Alcochete.

Alberto João Jardim escapa ao “espeto”

Quinze antes das eleições legislativas antecipadas, a 6 de Maio, na Madeira, causadas pela sua demissão, Alberto João Jardim disse “Os socialistas contavam que roubando o dinheiro à Madeira, pegavam no Alberto João, pegavam no PSD, metiam no espeto, punham o Alberto João a grelhar ao lume e o Alberto João saía que nem um franguinho assado”. “Só que eu gosto de frango e de frangas, mas servir de espeto…”, é que não, percebeu-se. Jardim foi reeleito por mais quatro anos. Com maioria absoluta.

Almeida Santos diz que Ota é melhor contra terrorismo

A 24 de Maio, no fim de uma reunião da Comissão Nacional do PS, Almeida Santos lança um novo argumento pró-Ota é menos vulnerável ao terrorismo. “Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o Norte do Sul do País”.

Santana sai de entrevista por causa de Mourinho…

Dia 26 de Setembro à noite, Pedro Santana Lopes abandona, a meio, a entrevista que estava a dar à SIC Notícias sobre a eleição para a liderança do PSD. Por ter sido interrompido pelo directo da chegada de José Mourinho a Lisboa. “Eu vim com sacrifício pessoal e sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol… Acho que o país está doido.”

… e compara Sócrates ao homem da Regisconta

A 11 de Dezembro, no debate mensal com o primeiro-ministro, Santana Lopes diz a Sócrates “O senhor primeiro-ministro não pode querer ser o homem da Regisconta, que é uma máquina. E a Regisconta até faliu…”.

Telemóvel do PGR faz “barulhos esquisitos”

A 20 de Outubro, Pinto Monteiro diz, em entrevista ao “Sol”, que desconfia que é escutado. “Eu próprio tenho muitas dúvidas que não tenha telefones sob escuta. Como é que vou lidar com isso? Não sei. Como vou controlar isto? Não sei”. “Penso que tenho um telefone sob escuta. Às vezes, faz uns barulhos esquisitos.”

Soares chama “desgraça” à eleição de Menezes…

“Foi uma desgraça o que aconteceu no PSD”, disse Mário Soares à TSF, a 30 de Setembro, sobre a eleição de Luís Filipe Menezes. “Aquilo que sucedeu é uma coisa que não nos agrada”. E explica porquê “Um Governo precisa de uma Oposição forte e estruturada, porque senão o Governo pode dizer que não há alternativa e que pode fazer o que quiser”.

… e manda Sócrates virar um pouco à Esquerda

“Gostaria que o PS agora se voltasse um bocadinho mais para a esquerda”, afirma o ex-chefe de Estado, no dia 11 de Novembro, ao “Diário de Notícias”, opinando que a partir de agora, o PS deverá “dialogar com os sindicatos”.

Um tratado “porreiro” ou demasiado confuso

Dias antes do Tratado de Lisboa ser assinado e dois meses após Sócrates ter murmurado a Durão Barroso “Porreiro, pá!”, acerca do consenso obtido entre os 27 estados- -membros, Mário Soares deu, em Coimbra, a sua sincera opinião sobre o documento: “O Tratado de Lisboa não é muito especial. No que conheço, é muito confuso. Nem é pequeno nem é claro. É o mais confuso possível”.

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