Casa Tuga

Campeonato de indecoro

Posted on: 8 Janeiro 2008


No Paquistão, a líder da oposição morreu; em Portugal, a oposição está viva mas não se nota

Veja o leitor como Portugal e o mundo andam a par e passo: no Paquistão, a líder da oposição morreu; em Portugal, a oposição está viva mas não se nota. Acaba por ser apropriado, uma vez que o Governo também não dá sinais de vitalidade.

Quando Luís Filipe Menezes propôs que fosse nomeado um social-democrata para presidir à Caixa Geral de Depósitos, o ministro da Presidência disse que a proposta era indecorosa, gesto esse que eu reputo de indecoroso. Pedro Silva Pereira, como é evidente, tem inveja. O primeiro-ministro prometeu criar 150 000 empregos e ainda não conseguiu; no entanto, Menezes nem faz parte do Governo e já está empenhado em criar, pelo menos, um emprego. E dos bons. A própria acusação segundo a qual Menezes pretende arranjar um tacho para um amigo é inconsistente. Presidir à Caixa Geral de Depósitos, meus amigos, não é um reles tacho. Presidir à Caixa Geral de Depósitos é a Bimby.

É claro que o Governo tem razão quando diz que não faz sentido colocar um amigo do PSD num cargo desta importância. O que faz sentido é colocar um amigo do PS, naturalmente. Foi para isso que o povo português mandatou o Governo, em 2005. Para retirar da generalidade dos cargos importantes as pessoas próximas do PSD e colocar nos mesmos cargos pessoas próximas do PS.

E renovar a frota automóvel do Estado. Depois, nas próximas legislativas, troca. É essa a essência da nossa democracia, e se Luís Filipe Menezes ainda não percebeu isso, algo vai mal.

Talvez seja por isso que certos analistas não reconhecem a Luís Filipe Menezes capacidade para comandar o Governo e, portanto, acreditam que nunca chegará a primeiro-ministro. O problema é que esses analistas também não compreenderam ainda a essência da nossa democracia. Não ter capacidade para comandar governos nunca impediu ninguém de ser primeiro-ministro em Portugal. Olhando para o nosso historial de chefes de Governo, parece que até ajuda. O passo decisivo é conseguir chefiar um dos dois grandes partidos. Depois disso, é só esperar. Nas palavras imortais de Durão

Barroso: «Sei que vou ser primeiro-ministro, só não sei quando.» Claro que, depois de eleito, Durão Barroso deveria ter dito: «Sei que sou primeiro-ministro, só não sei até quando», porque, na verdade, nunca se sabe quando vai surgir uma oportunidade melhor, como a de presidir à Comissão Europeia.

De tudo isto resulta que Luís Filipe Menezes só tem de ter paciência. Há que suportar o escândalo que constitui a inclinação do Governo para colocar alguém próximo do PS na CGD. Dentro de poucos anos, já como primeiro-ministro, Menezes poderá, então, substituir o presidente do conselho de administração da Caixa por um social-democrata. Por muito que, nessa altura, o PS denuncie o escândalo que constituirá a inclinação do Governo para colocar alguém próximo do PSD na CGD.

Por:Ricardo Araújo Pereira
Fonte:Visão

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