Casa Tuga

Surfar a onda do crime

Posted on: 20 Dezembro 2007


O crime sempre foi a principal saída profissional dos ociosos. O crime e a presidência de organismos europeus. Ora, os nossos trafulhas trabalham mais do que a gente decente.

O leitor conhece aquele tipo de pessoas que só está bem a dizer mal do nosso país? Essa gente tem um nome, como sabe: chamam-se «portugueses». Ultimamente, Portugal anda a fazer-lhes uma desfeita. Quando eles se queixam de que o País não se desenvolve, eis que certas áreas da nossa vida se aproximam do melhor que se faz no estrangeiro. Por exemplo, o Porto, neste momento, está igual a Chicago.

É certo que estou a falar da Chicago dos anos 20, mas tem de se começar por algum lado.

Se há profissional em que podemos confiar, no que diz respeito à constante e obstinada modernização do seu mister, esse é o criminoso. Os nossos médicos ainda esperam por aparelhos tão bons como os que há lá fora, os nossos futebolistas aguardam condições de treino semelhantes às do estrangeiro, os nossos palhaços desesperam por bolas vermelhas tão engraçadas como as dos narizes dos seus congéneres europeus e americanos. Mas os nossos bandidos possuem armas, estratégias e vileza de fazer inveja a facínoras de qualquer nacionalidade. Confesso que este modo de ser dos nossos malfeitores não me cai bem. Em princípio, uma pessoa vai para delinquente porque não quer trabalhar.

O crime sempre foi a principal saída profissional dos ociosos. O crime e a presidência de organismos europeus. Ora, os nossos trafulhas trabalham mais do que a gente decente. Arranjar uma metralhadora já deve ser complicado. Conseguir obter aquela que, no mundo da carnificina, é a última moda, constitui uma proeza que deve merecer a admiração de todos.

Talvez a solução para os problemas de segurança do País não esteja tanto no encarceramento destes bandoleiros, mas sim na sua colocação em cargos de chefia. São trabalhadores, competentes, eficazes e intimidam os subalternos calaceiros. Provavelmente também intimidam os subalternos aplicados, o que não deixa de ser útil, pelo que tem de preventivo. Com os subalternos, nunca se sabe. Eu já fui subalterno muitas vezes e sei bem do que essa gente é capaz.

A generalidade das pessoas vê a noite como um mundo de vícios e distracções. É urgente acabar com este preconceito. É à noite que trabalham os profissionais mais zelosos que conhecemos. O álcool, a droga e as mulheres (optei por ordenar os vícios por ordem crescente de calamidades que provocam) não os deixam perder de vista o sentido do dever. Não há diversões que se interponham entre eles e o trabalho:

– Zé Naifas, queres vir beber um copo?

– Não posso. Tenho uma chacina para efectuar.

Por:Ricardo Araújo Pereira
Fonte:Visão

Um exemplo para todos nós.

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