Casa Tuga

A diferença entre a cimeira e a baixaria

Posted on: 15 Dezembro 2007


Não sei quem é o responsável por não se ter convidado também o imperador Ming, o Lex Luthor, a Bruxa Má, o Darth Vader e o dr. Hannibal Lecter, mas o esquecimento é imperdoável

A cimeira UE-África começa amanhã, e eu estou tão excitado que tenho dificuldade em conter a comoção. Acontece-me isto com cimeiras em geral, mas esta reúne um conjunto de atributos que a tornam especialmente interessante. Desde logo porque se realiza no nosso país, o sítio ideal para uma cimeira EU-África na medida em que acaba por constituir território neutro: isto nem é bem Europa nem é exactamente África, embora esteja próximo das duas. Assim é que é bonito: toda a gente se sente em casa. Os europeus porque estão, de facto, na Europa; os africanos porque se encontram num país que tem níveis de desenvolvimento muito próximos dos seus.

Quanto aos convidados, talvez haja dois ou três aspectos a melhorar. Estarão presentes na cimeira José Eduardo dos Santos, que é ditador em Angola desde 79; Kadhafi, que também mantém uma ditadura muito engraçada na Líbia desde o final dos anos sessenta; Teodoro Obiang Nguema, que dirige à bruta a Guiné Equatorial desde 79; e Robert Mugabe, o campeão dos direitos humanos no Zimbabué. Não sei quem é o responsável por não se ter convidado também o imperador Ming, o Lex Luthor, a Bruxa Má, o Darth Vader e o dr. Hannibal Lecter, mas o esquecimento é imperdoável. Uma oportunidade como esta para reunir à mesma mesa os principais vilões da História não deveria ter sido desperdiçada. Dizem–me muito bem de Mugabe, mas por muito que valha mais sozinho do que todos os criminosos do 007 juntos, julgo que teria sido simpático poder vê-lo à conversa com Ming, ou a espancar a Bruxa Má. Enfim, fica para a próxima.

Também no que diz respeito ao alojamento há erros que devem ser evitados no futuro. Por exemplo, nenhum dos ditadores vai ficar alojado em Caxias, como seria apropriado. E Kadhafi vai pernoitar numa tenda que instalará junto ao Forte de São Julião da Barra. Não sei que raio de fama tem a nossa indústria hoteleira na Líbia, mas o certo é que Kadhafi prefere ir fazer campismo selvagem para Oeiras a ficar num hotel. Confesso que, sempre que passava na marginal, punha-me a pensar no que seria preciso fazer para que as autoridades me deixassem montar ali uma barraca com vista para o mar. Durante muito tempo pensei que seria difícil ou até impossível. Afinal, basta assassinar meia dúzia de inimigos políticos. Às vezes é importante não desistirmos dos nossos sonhos, pois eles estão mais próximo do que imaginamos. Kadhafi é, neste ponto, uma referência e uma inspiração, quer para assassinos quer para campistas.

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