Casa Tuga

O Japão Como Segunda Potência

Posted on: 5 Dezembro 2007


“(…..) Nas fábricas japonesas, os empregados parecem trabalhar mesmo sem o controle dos chefes de turma. Os operários não demonstram estar zangados com seus superiores e realmente parecem desejar que a empresa tenha sucesso”. Esta observação foi feita por um visitante, em oposição às fábricas americanas. Os japoneses sentem orgulho de seu trabalho e são leais em relação a sua empresa, produzindo mercadorias competitivas no preço e de qualidade.

Nas indústrias com requisitos de proficiência mais baixos, a mão-de-obra treinada e especializada não eram necessárias. A agilidade e vigor físicos pensaram mais. Havia interesse maior por operários mais jovens ( final do século XIX, início do século XX).

Nas indústrias modernas, onde a alta especialização é necessária, e, portanto de tempo e investimentos consideráveis, foi desenvolvido um sistema de aumento de salário baseado em tempo de serviço para motivar os empregados a permanecer.O sistema de tempo de serviço e emprego permanente paternalistas tornaram-se predominantes na indústria de larga escala.

Nas décadas de 50 e 60, sob a tutela do governo, muitas firmas pequenas se consolidaram e se modernizaram. Novas administração e tecnologia americanas foram introduzidas. Chegaram a considerar a introdução do modelo americano, não paternalista, mas no final dos anos 60, as empresas começaram a sobrepujar as companhias do ocidente. A nova filosofia de administração, então, incorpora muitos conceitos da moderna administração ocidental (estratégias básicas de negócios, ciclos de vida dos produtos, levantamentos de mercado e estratégias de marketing, contabilidade, modelos econômicos, propaganda, etc), mas alguns fundamentos japoneses permanecem (perspectivas a longo prazo, emprego permanente, tempo de serviço e lealdade para com a companhia) e algumas características se desenvolvera (separação de cargo e tarefa, pequenas diferenças em pagamento e status para operários de uma determinada idade, gerência e responsabilidade de pequenos grupos).

A empresa japonesa investe alto visando retorno a longo prazo. Isso é possível porque não depende da venda de títulos (1/6 do capital) e sim de empréstimos bancários. Os acionistas não têm força para exigir lucro anual e os bancos dependem das companhias tanto quanto estas dependem dos bancos. O sucesso da empresa é julgado mais pela valorização da empresa no mercado de ações e isso se dá a longo prazo, mantendo a lucratividade e diminuindo os custos. As grandes empresas japonesas contraem grandes dívidas, mas por serem consideradas importantes para o conjunto da economia, o Banco de Japão, apoiado pelo Ministério da Fazenda, auxilia os bancos que emprestam dinheiro às companhias. Os mais importantes ministérios do governo também ajudam, em caso de emergências.

Uma empresa em dificuldades econômicas sempre vai procurar contornar a situação sem sacrificar o sistema de emprego permanente, com ligeiras adaptações, reduzindo os valores dos bônus e dos aumentos, as horas de trabalho, as admissões; fazendo cortes de salário; despedindo empregados temporários; encorajando a aposentadoria; transferindo empregados para empresas filiadas.

Os funcionários com o mesmo tempo de serviço, são considerados iguais. Nos primeiros anos recebem o mesmo pagamento para diminuir a competição e fortalecer a amizade entre colegas. O mais importante critério para medir qualidade, visando a promoções regulares por período de tempo, é a capacidade de trabalhar bem com os outros. O empregado que progride mais rapidamente não é o que tem idéias originais, mas o que pode colaborar bem com os outros para achar uma conclusão satisfatória para todos. A realização pessoal não pode ser separada da capacidade de trabalhar em grupos. Eventualmente, o prêmio pelo desempenho e esforço inclui salário e posição, mas a recompensa verdadeiramente satisfatória é a estima de seus colegas. Mesmo que numa seção o chefe seja de forma notória medíocre e menos apto ao serviço que seu subalterno, o importante é o desempenho do grupo. O grupo, como um todo, tem grande força e responsabilidade, pois, dentro de sua esfera, não espera ordens dos executivos, mas toma as iniciativas identificando problemas, fazendo consultas, preparando documentos e propondo soluções para os problemas. Somente quando o grupo não consegue resolver os problemas sozinhos, os executivos tomam as decisões finais. O sucesso e o fracasso vêm do esforço do grupo e não são nunca colocados nos ombros de uma única pessoa. Na pior das hipóteses, se um alto funcionário agir mal, seu mandato será terminado mais cedo ou ele não será promovido tão rapidamente.

A empresa japonesa acredita que o ritmo da evolução da moderna tecnologia e da mudança organizacional, tornam a especialização rapidamente ultrapassada. O jovem empregado japonês, por ser generalista, se interessa em ter conhecimentos vastos sobre sua empresa. Um funcionário japonês, que sabe que será mantido e retreinado no decorrer da carreira, geralmente não se preocupa com inovação e não resiste à mudança tecnológica, pois esta é necessária para o desenvolvimento de sua companhia. O trabalhador japonês é flexível e está disposto a ajudar os companheiros em diferentes tarefas.

A empresa japonesa coloca seu compromisso com os empregados acima dos compromissos com lucros e com acionistas. O trabalhador, por sua vez, responde com compromisso de lealdade.

O sucesso das companhias japonesas em evitar inquietações perturbadoras por parte dos empregados, foi reforçado pelo tratamento dispensado aos sindicatos dos trabalhadores. Depois da II Guerra Mundial, quando a ocupação dos aliados ordenou uma rápida expansão dos sindicatos, os executivos das grandes empresas japonesas tomaram providências para que os empregados se tornassem membros dos sindicatos, que nasceram não de lutas violentas, mas da iniciativa dos líderes responsáveis. No início, o movimento trabalhista, protegido pela ocupação aliada, tornou-se uma força política poderosa e as vezes, violenta. A administração percebeu que incentivando os funcionários fieis e de escritório a tomarem parte nas atividades dos sindicatos e tentando satisfazer alguns pedidos dos trabalhadores, criaria melhores relações de trabalho e uma força operária mais satisfeita. Os sindicatos japoneses são organizados pelas empresas. Os sindicatos profissionais nacionais tendem a ser fracos. Em algumas áreas, os sindicatos se envolveram em longas greves e perturbações, mas isso aconteceu porque estavam convencidos de que as perturbações não poriam em perigo o futuro de sua organização.

No setor público as greves são oficialmente ilegais, e quando algum sindicato testa essa legalidade, como ocorreu em 1976, a greve é interrompida não pela lei, mas pela opinião pública. Os empregados do setor privado que não fazem greve em virtude da dedicação que têm por sua empresa, exercendo pressão pública, não consideram correto o Governo oferecer melhores condições e salários à servidores públicos grevistas. Os filhos de grevistas chegam a ser ridicularizados pelos colegas nas escolas.

Com riqueza crescente e emprego total, no final dos anos 60, muitos jovens se tornaram confiantes em suas habilidades para ganhar a vida mesmo se deixassem sua atual companhia e essa atitude ameaçou a disciplina da empresa. Contudo, desde a crise do petróleo em 1963, os trabalhadores, com medo do desemprego, sentiram-se dependentes de sua empresa e a disciplina melhorou. Assim, mesmo com um padrão de vida alto, o japonês não deu fim ao trabalho duro.

INCENTIVOS PESSOAIS

As empresas japonesas oferecem incentivos econômicos por lealdade a longo prazo e reforços para o funcionário se identificar com a empresa, por exemplo:

  • hipotecas com juros subsidiados pela empresa;
  • bônus, presentes;
  • descontos especiais;
  • festas, viagens, cursos, exibições;
  • instalações para recepções e festas;
  • colônias de férias; e
  • atividades esportivas diversas.

Os executivos japoneses, em geral, querem seus funcionários sob seus cuidados até mesmo nas horas de folga, mesmo que isto represente um alto custo.
Se isto fosse em Portugal, sei lá eu como estariamos ….

Fonte

1 Response to "O Japão Como Segunda Potência"

Ajudo bastante ;D
Valeooo aee

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