Casa Tuga

Se não tem pais ricos, vá ao BES; se tem, vá ao BCP

Posted on: 5 Novembro 2007


Não percebo muito de publicidade, mas acho que a nova campanha do BCP está óptima. Refiro-me a esta recente promoção em que eles emprestam 12,5 milhões de euros a fundo perdido.

Não percebo muito de publicidade, mas acho que a nova campanha do BCP está óptima. Refiro-me a esta recente promoção em que eles emprestam 12,5 milhões de euros a fundo perdido. Isto é que é cativar clientes. Não há cá conversas sobre spreads, taxas de juro variáveis e indexantes. Leva-se a maçaroca para casa e acabou-se. A mensagem deles é: «Se nós perdoamos dívidas no valor de 12,5 milhões, imagine o que podemos fazer pelo empréstimo que contraiu para adquirir esse T0 na Rinchoa, seu pelintra! Fique lá com os 50 mil euros e não se fala mais nisso, pá.» Duvido que sobre um único cliente para as outras instituições de crédito. No fundo, é a versão bancária daquele azulejo que havia nas tabernas, antigamente: «Queres fiado? Toma!» Só que o BCP não tem o Zé Povinho desenhado por baixo da frase a fazer um manguito. Não há nenhuma ironia naquele «Toma!» É mesmo para tomar e meter ao bolso.

Claro que, como em todas as campanhas publicitárias, há um pormenor que eles não revelam. Ao que parece, a promoção só é válida para filhos do fundador e presidente do conselho geral e de supervisão do banco. Tendo em conta que os processos de adopção são complexos e morosos, não haverá muitos clientes a conseguirem tornar-se filhos de Jardim Gonçalves, facilmente, mas não deixa de ser uma excelente oferta.

Além do impacto publicitário, o caso pode desempenhar um papel importante na melhoria das relações entre os clientes e a banca. Numa altura em que tantos portugueses se vêem obrigados a negociar acordos delicados com os bancos, aqui está um cidadão que consegue obter uma solução magnífica sem sequer ter de pedir apoio à DECO. Pode parecer paradoxal, mas os empréstimos mais penosos são os pequeninos. Quem pede um empréstimo enorme, raramente tem dificuldades – especialmente se não estiver a pensar em pagá-lo.

Por outro lado, e apesar do final feliz deste episódio, há aspectos negativos que devemos considerar. Quando se fala no endividamento das famílias portuguesas ninguém está à espera que uma dessas seja a família Jardim Gonçalves. Se até o filho de Jardim Gonçalves sente dificuldade para pagar as dívidas, que esperança resta a pindéricos como nós? Pela minha parte, não tenho outro remédio senão continuar a pagar as minhas. Mas estou a fazer um esforço muito sério para convencer o meu pai a fundar um banco. Não me importava nada de ter uma destas mesadas de 12,5 milhões de euros.

Por:Ricardo Araújo Pereira
Fonte:Visão

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